Galo em Modo Soneca

Publicado em Atlético, Campeonato Brasileiro, Futebol
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(Foto: Bruno Cantini/Atlético/Divulgação)

(Fernando Gregori – @ferdsmg)

Quando 2014 acabou, estávamos em êxtase. O título da CB14 era o coroamento perfeito de 3 anos inesquecíveis. Os 3 anos que mudariam a história do Galo pra sempre, pensei eu, do alto da minha empolgação. Pra mim, o que faltava ao Galo em anos anteriores era justamente a ambição de ganhar títulos. E nesses 3 anos mágicos, o que mais se viu no Galo foi ambição e sangue nos olhos. Diretoria e jogadores totalmente focados em levantar taças e atropelar quem tentasse impedir.

E pra isso, não mediam esforços. Por isso testemunhamos viradas épicas e assistimos jogos monumentais. Difícil esquecer aqueles jogos contra o Flu, Vasco e Botafogo no Horto, em 2012. Como apagar da memória a primeira fase da Libertadores, onde passamos o trator em todo mundo. E os jogos contra o São Paulo na Oitavas, onde calamos a arrogante mídia paulista, além é claro, dos dois 2×0 da semi e final, quando o Galo simplesmente se recusou a ser eliminado.

Em 2014, o Brasil inteiro parou pra ver o time que não aceitava a derrota de jeito nenhum. O adversário podia fazer 3 gols em um mata-mata que a gente ia lá e fazia 4. Curintias e flazinho que o digam. Foram sumariamente massacrados pelo rolo compressor atleticano que tina gana de vencer.

Na final mais fácil da história, o Galo simplesmente humilhou seu adversário regional, mostrando para todo ver, qual era o maior time do país naqueles 3 anos. E até hoje, quando alguns jogadores daquele time dão entrevistas, fazem questão de lembrar que eles não admitiriam perder de maneira nenhuma. Entre eles existia o pacto silencioso de vencer quem atravessasse o nosso caminho. A gente ia para o campo com a certeza que para o adversário ganhar do Galo, precisaria jogar a melhor partida da sua vida. Caso contrário, era saco. E assim foi até 2015 chegar.

A ambição, a gana e a indignação diante de uma derrota, desapareceram como num passe de mágica. Hoje, passados longos e tenebrosos 4 anos do auge de 2014, o Galo é o time que mais aceita perder. A derrota ou empate viraram coisas tão normais na CdG, como respirar e fazer aquecimento. Qualquer timeco vem aqui no Horto e nos dá sufoco, ganha ou empata sem fazer muito esforço. Não oferecemos resistência nenhuma, nem aqui, nem fora de casa.

Para piorar, não se vê nenhum jogador dar uma entrevista puto após perder mais um jogo ganho. Não se ouve treinador ou dirigente dizer que vai cobrar o elenco, que medidas serão tomadas. O presidente não chuta mais a porta do vestiário. O Diretor de Futebol não se posiciona. A semana de treino tem mais dias de folga do que de preparação. E olha que, depois das eliminações vexaminosas na CB18 e Sulamericana, esse seria nosso grande trunfo; tempo para treinar. Mas não. Semana após semana, derrota após derrota, existe apenas uma inquietante acomodação de todo mundo, inclusive de grande parte da torcida.

Perder ou deixar de ganhar virou parte do nosso cotidiano. Empatar contra o time C do curintias, recém eliminado da Libertadores, é visto como bom resultado em Lourdes. Perder para o poderoso Vitória, que tinha o pior ataque do campeonato, é bem aceito pela comissão técnica. Empatar em casa, com Horto lotado, com o Vasco sem treinador, tudo OK! Tá valendo! Bora levantar a cabeça!

Não tem um infeliz no time pra esmurrar a parede, xingar um palavrão ao vivo, discutir com o companheiro que está correndo errado ou nem correndo, mostrar indignação, chateação, aborrecimento, tristeza. Nada. Não sentem nada. Os líderes do elenco simplesmente aceitam perder jogo após jogo, em um campeonato nivelado por baixo, onde dar um sanguinho a mais numa dividida ou esticar a perna mais um tiquinho pra empurrar a bola pra dentro, poderia significar mais 3 pontos na tabela e até uma vaguinha na LA19.

E todo esse cenário de “normalidade” fica ainda mais duro ao ver um Grêmio, recheado de refugos, daqueles que a gente não queria ver nunca mais no Galo, suando sangue em campo, em todos os jogos e conquistando quase tudo nos últimos anos.

Mas ao que parece, depois de 12/13/14, o Galo entrou em Modo Hibernação ou deu férias prolongadas pra todo mundo. Afinal, já são 4 anos apenas cumprindo tabela, sem a mínima pretensão de levantar taça.

E tudo que eu queria saber, é quando vamos ligar novamente o Modo Fábio Assunção e despertar o Galo Doido de novo.

Acorda, Galo!

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