Carta para o Pastor

Publicado em Atlético, Campeonato Brasileiro, Futebol
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(Foto: Bruno Cantini/Atlético/Divulgação)

Por Fernando Gregori – @ferdsmg

Caro Ricardo Oliveira,

Venho através desta, expressar meu sincero apoio a tudo que você disse em sua coletiva antes do jogo de ontem. Gostaria também de colocar alguns pontos, que considero serem de extrema relevância para o assunto levantado por você, sobre entrega, dedicação e fé.

Você viu que, bastou um carrinho a mais, um sanguinho a mais, uma esticada de perna a mais, uma corridinha a mais para ganharmos o jogo? Nada muito excepcional. Nada muito espetacular. Só a velha e tradicional raça Atleticana. Tudo o que a Massa vinha pedindo há tempos. O nosso Galo de briga de volta. Bastou ele aparecer, para vencermos o líder. Nem precisamos jogar uma grande partida. Pelo contrário, Pastor. Você notou que o time foi mais pressionado do que pressionou? Sofreu grande parte do segundo tempo, mas sofreu com coragem, com bravura e sem esmorecer um segundo sequer?

Depois da sua declaração, nós na arquibancada notamos que vocês entraram com sangue nos olhos. Percebemos logo de cara que vocês decidiram que não iriam perder de jeito nenhum. Como em 2012/13/14, vocês incorporaram a magia do Time do Impossível e conseguiram os 3 pontos. Teve luta, teve briga, teve pontapé, teve discussão. Tudo que a gente ama ver. E teve gol na sorte. Ou seja, quando vocês colocam o coração em campo, os Deuses do Futebol ajudam.

Entenda Pastor, isso não é balela. Foi assim com o Riascos, foi assim com Maxi Rodrigues, foi assim com Tanque Ferreyra, foi assim com curintias e flazinho nos dois 4×1. Acredite, os Deuses do Futebol amam ver jogadores do Galo Doido suando sangue em campo. Ao mesmo tempo que eles odeiam quando vocês ativam o modo Galo Soneca. Pode ser amistoso entre casados e solteiros, pode ser duplinha. Se tiver a camisa oficial do CAM em campo, sue sangue. Morra em campo. Desidrate. Brigue. Mate. Menos que isso, e a bola que ia pra fora, entra em nosso gol.

E Ricardo, o “Eu Acredito!” não é apenas um grito de torcida vazio. É um estado de espírito. É a tradução máxima da simbiose entre time e arquibancada. É o mais perto da perfeição de sentimentos que um clube e sua torcida podem chegar. E ele não pode ser entoado ao léu. Seria muito sacrilégio entoarmos nosso mantra do jeito que vocês vinham jogando. Vocês simplesmente não mereciam ouvi-lo.

Até porque, Pastor, a Massa é famosa por carregar times limitados tecnicamente, nas costas. Já fizemos isso várias vezes, bem antes de você nos pedir. E não custa nada fazermos isso de novo. Mas em troca, queremos o Galo de Briga de ontem na maioria dos jogos. Então, façam por merecer.

Até porque, os 3 pontos de ontem contra o líder, valem a mesma coisa dos 3 pontos que serão disputados contra os Falsos na próxima segunda feira. E em um campeonato fraco como o desse ano, quaisquer 3 pontinhos ganhos na raça farão muita diferença no final.

Por isso, caro Ricardo Oliveira, pode avisar aos seus companheiros de elenco que nós, a Massa, estamos aqui sempre que vocês precisarem. Joguem como ontem, que vamos cantar o jogo todo. Briguem como ontem, que vamos defender vocês contra todos. Se matem como ontem, que vamos nos matar para calar as outras torcidas.

E tenha absoluta certeza, meu querido Pastor, se vocês acreditarem em vocês mesmos, não seremos nós que duvidaremos. Muito pelo contrário, estaremos ali, sem arredar 1 cm, prontos para acreditar de novo.

Caro Ricardo Oliveira, seja o líder que esse grupo precisa, que nós seremos seu fiel rebanho.

Com afeto,

Fernando Gregori, um Atleticano.

Belo Horizonte, 6 de setembro de 2018

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