Do ódio ao amor em uma virada

Publicado em Atlético, Copa Libertadores, Futebol
atletico-zamora-mineirao-libertadores-2019
(Foto: Bruno Cantini/Atlético/Divulgação)

(Por Fernando Gregori – @ferdsmg)

Que o Galo é o Time do Impossível, a gente está cansado de saber. Que o Galo é capaz de viradas épicas, quando ninguém mais acredita, a gente também está calejado de saber. Que o Galo faz a gente passar raiva desnecessariamente muitas vezes, estamos carecas de saber. Mas, o Galo resolveu inovar. Como isso tudo já estava ficando rotineiro, agora teremos uma nova modalidade de sofrimento: vamos sofrer em todos os jogos.

Não importa se é contra o Barcelona ou o Boa. Vai ter sofrimento. Vai ter dor de cabeça. Vai ter ódio. Durante 90 minutos teremos uma mistura de sentimentos que só o Atleticano vai sentir. Outros times passam o jogo inteiro ganhando burocraticamente de 1×0. O Galo odeia isso.

Não há monotonia em um jogo do Galo. Quem vai ao estádio ou assiste pela TV tem certeza que vai xingar, vai querer invadir o campo, vai prometer nunca mais voltar ao estádio, vai xingar o avô por tê-lo feito alvinegro e, num piscar de olhos, estará de joelhos com as mãos para o céu, chorando e agradecendo a todos os santos por nunca ser torcedor de outro time.

Ontem foi assim. Vimos o Galo jogar o pior 1º tempo dos últimos 20 anos. 45 minutos que me fizeram lembrar de outro jogo tenebroso histórico, coincidentemente com o Levir no comando. Galo 0x3 Brasiliense. Um dos jogos que eu mais vi a torcida querendo matar alguém no campo. Um dos jogos onde eu perdi minha voz de tanto xingar jogadores, diretoria e treinador. E ontem foi quase isso.

Assistimos a um Galo completamente bagunçado, sem interesse nenhum na partida e jogando o pior futebol que existe. 2×0 foi muito pouco. Fosse um time melhor, era pra ser 4×0, fora o baile. O Zamora parecia não acreditar que estava ganhando um jogo fora de casa, diante de 40 mil pessoas. E as 40 mil pessoas não acreditavam que estavam vendo o Galo fazer sua pior partida desde os 3×0 para o Brasiliense.

Mas aí, veio o intervalo. Tal qual um lutador de boxe é salvo pelo gongo, o Galo foi salvo pelo apito do juiz. Um time massacrado foi para o vestiário. E deve ter baixado um Mickey Goldmill no Levir. Porque como num filme do Rocky Balboa, o Galo, que até então tinha só apanhado muito, quase indo a nocaute, resolveu bater.

Na base do todo mundo ataca, bumba meu boi e chutão pra frente, veio a virada. Aos trancos e barrancos, contando com a expulsão de um jogador do Zamora e no grito da Massa, viramos. Quem minutos atrás amaldiçoava o clube, agora abraçava em prantos o torcedor desconhecido ao lado. 3 pontos salvadores, que ainda nos deixam respirar na LA19. Mas é muito pouco.

É preocupante a fragilidade do time. Não há um só aspecto no time que nos deixe animado para vislumbrar uma conquista na frente. Todos os jogadores estão em má fase, Levir parece estar perdido, o time não passa a mínima confiança e a diretoria está na fila do banco preocupada em quitar dívidas. Só uma coisa é certa: o Galo de 2019 vai continuar a nos matar de sofrimento. Vamos continuar tendo ataques de coração com esse time mal montado, mal treinado e mal planejado.

Não. Levir não deve ser demitido. Mas que a total ausência de um esquema de jogo está minando sua credibilidade, está. Em sua defesa, a diretoria se esforça pra não oferecer mão de obra qualificada. O resultado é essa bagunça em campo.

Para piorar, com exceção de Luan, que parece ser o único que está com vontade de ganhar, o resto do time só mostra brio quando as vaias desabam sobre eles. Então, o grupo que se acostume com essa relação de amor e ódio das arquibancadas. Já sabemos que não temos o melhor time, mas queremos pelo menos, ter o time com mais vontade.

No Galo é assim, amor e ódio convivem como num pênalti do Fábio Santos. E está passando da hora do amor prevalecer. Chega de sofrimento, Galo!

Gostou do conteúdo? Deixe sua opinião nos comentários.
Siga o Entre 4 Linhas > Facebook | Twitter | Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *