Um grande clube comandado por dirigentes minúsculos

Publicado em Atlético, Copa Libertadores, Futebol
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(Foto: Bruno Cantini/Atlético/Divulgação)

(Por Fernando Gregori – @ferdsmg)

A grande vantagem de escrever a coluna no dia seguinte aos jogos é poder extravasar toda a raiva apenas no Twitter. Assim, eu acabo poupando os leitores daqui dos palavrões e ataques de fúria. Mas, o melhor mesmo é poder acompanhar a reação da diretoria, treinador e jogadores após mais um vexame histórico.

Eles continuam tranquilos, de boa, suave na nave. Não existe indignação, não existe frustração, não há um pingo de revolta. Para as pessoas que vivem dentro do Galo, jogar mais uma temporada no lixo é absolutamente normal. Só nós, meros e insignificantes torcedores é que perdemos o sono, temos pesadelos, acordamos de ressaca imoral. Eles dormem o sono dos anjos e acordam no paraíso.

Não se vê um soco na mesa, um palavrão, uma declaração mais incisiva. Perderam completamente a capacidade de se indignar. Passar mais um ano sem ganhar absolutamente nada, é rotina pra essa turma.

Para termos ideia do quanto o Galo é tratado com desdém pelos seus dirigentes, o nosso amado e estimado presidente nem se preocupou em viajar com o time ao Paraguai, para esse jogo decisivo. Preferiu ficar em BH, talvez mais interessado no andamento do automobilismo.

E assim caminha mais um ano perdido do Galo. Outra vez mal planejado, com erros em todos os setores e com a maldita AUSTERIDADE nos dando mais uma goleada. Quem diria que nosso maior e mais difícil rival seria o Austeridade F.C. E estamos virando fregueses de carteirinha dele. Todo ano ele nos derrota e humilha com requintes de crueldade.

Galo é um time gigante, que sempre teve dirigentes minúsculos. Em nome dessa tal austeridade, matamos a nossa ambição e simplesmente ignoramos o fator CONQUISTA no futebol. Nos contentamos em passar a vida sendo coadjuvantes, quando sempre tivemos capacidade para sermos protagonistas.

Odeio dar exemplos usando o freguês, mas no aspecto ambição, eles estão anos luz na nossa frente. Vamos lembrar: Em 2012, após o Galo vencer o cru na última rodada e conquistar a vaga direta para LA13, o freguês simplesmente abriu os cofres e montou o time campeão brasileiro. Apenas para rebater o Galo. Aí, o Galo vence a LA13 e para não deixar barato, o cru investe mais ainda e vence o BR14.

Lá é assim. Não aceitam serem menores que o Galo nem por 1 dia. E não importa quanto isso custe ou quanto vai quebrar o time no futuro. Aliás, essa história de “uma hora a conta chega” só acontece com o Galo. E a conta chega quando gasta e quando não gasta. Porque até para fazer austeridade, as pessoas que comandam o Galo pensam pequeno. Como fazer economia renovando com jogadores ruins por anos e anos a fio?

Investir pra ser campeão. Essa é a fórmula do sucesso. E ser campeão hoje significa lucrar com prêmios, cotas de patrocínio maiores, valorização do elenco, aumento de bilheteria, aumento de venda de produtos oficiais, aumento no número de sócios. Mas parece que ninguém dentro do CAM sabe disso.

A verdade é que até quando um presidente resolveu pensar grande e fomos campeões da Libertadores e da Copa do Brasil, ele pensou pequeno. Cometeu o erro grosseiro de não capitalizar aquele momento vitorioso. Não ter um departamento de marketing para usar o fanatismo de 8 milhões de torcedores/clientes, encher os cofres e pagar o investimento foi o prego no caixão do Galo.

Só lembrar que, após a conquista da LA13, o GNV Black chegou a ter 5.400 associados e no ano seguinte à conquista de um título continental, teve a absurda queda de quase 50% nas adesões.

Levir é o milionésimo treinador demitido em 5 anos. E vão contratar qualquer um para o lugar, sem o mínimo planejamento ou preocupação em dar uma identidade ao time. Depois, vamos despachar uma barca de jogadores e até o meio do Brasileiro, vamos contratar outra barca, também sem planejamento nenhum.

Eles não entendem que pode vir o Guardiola que não vai dar certo. A cultura da “empresa” é derrotista e só vai colher vexames. Eles simplesmente não querem vencer. Acredito que se pudessem, até tirariam a parte “Vencer, vencer, vencer” do hino e colocariam “Quitar, quitar, quitar” no lugar.

Minhas expectativas com o Galo já estavam lá embaixo desde a entrada do atual presidente advogado, ex-militar e ex-paraquedista (será coincidência o Galo e o Brasil estarem tão ruins assim?), que odeia futebol. Depois dessa Libertadores, simplesmente não há mais nada pra reclamar.  Só nos resta assistir ao melancólico “apequenamento” do clube e esperar que, algum dia, um ser iluminado sente na cadeira de presidente e enxergue o real tamanho do Clube Atlético Mineiro.

Agigante-se Galo!

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10 comentários para “Um grande clube comandado por dirigentes minúsculos

  1. Seu comentário ia muito bem ATÉ o último parágrafo. Que palhaçada! Você fez exatamente o que o time do galo vem fazendo, ou seja, merda. Não misture futebol com sua paixão política. Certamente o Brasil não está assim em virtude do atual governante mas em função dos erros cometidos anteriormente.

  2. Não compare o atlético com o Brasil pois este ultimo vai muito bem, iniciando uma faxina aos desgovernos a partir de 1985. Esta situação mineira só começará a mudar quando entenderem que apenas com profissionais da área e muito planejamento é que as mudanças virão. Sigam o exemplo do Governo federal.

  3. Muito bem. Sempre foi e sempre será esta escrito, uma pena pois sou atleticano desde 1962 quando tinha somente 10 anos, esperei 50 anos para ver o Galo ser campeao de uma libertadores, e vejo que não mais verei o time levantar um título de valor.

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