Exportação de gado vivo reforça a crueldade animal no Brasil

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“Os cruéis navios negreiros do passado agora foram substituídos pelos navios boiadeiros, tão cruéis quanto”, declarou o ativista pelos direitos animais e presidente da ONG VEDDAS, George Guimarães. Esta semana, mais de 27 mil bezerros criados em fazendas no interior de São Paulo foram embarcados no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, em um navio com destino a Turquia. A operação marca a retomada de movimentação de “carga viva” no complexo portuário santista após quase duas décadas. O sofrimento imposto aos animais é enorme. Fora os 400 quilômetros percorridos até o cais, a bordo de caminhões, até chegarem no destino final, no Porto de Iskenderun, na Turquia, os animais enfrentarão quase 6 mil milhas náuticas, que representam cerca de 11 mil km. A megaoperação é de responsabilidade da Minerva Foods, terceira maior empresa de carne bovina do Brasil e maior exportadora de boi vivo do país.

O sofrimento imposto aos bois começou no início do transporte, feito pelas carretas. Isso porque o “Manual Boas Práticas de Manejo – Transporte”, elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, recomenda que os animais sejam desembarcados e tenham direito à descanso, alimento e água à vontade apenas em viagens com duração maior que 12 horas. A recomendação do órgão expõe a crueldade envolvida no transporte de animais vivos, especialmente em casos como o dos bois levados a Santos, em que o trajeto não alcançou a quantidade de horas definidas como necessárias para que os animais recebam o que deveria ser disponibilizado para eles em tempo integral: alimentação, água e local para descansarem.

Em caminhões superlotados que, devido à falta de espaço, os impedem de descansar, eles sentem fome, sede, calor e, ainda segundo informações do Ministério, “mesmo sob boas condições e em viagens curtas, os bovinos mostram sinais de estresse”. O documento do órgão afirma ainda que “animais estressados sofrem” e que o estresse gerado leva ao risco de ferimentos e morte. Ao chegarem no cais, o terror se intensifica. No local, os caminhões são posicionados de forma a encurralar os bois em um corredor que os direciona à plataforma de embarque. Desesperados, eles percorrem o único caminho possível, que os leva ao navio e, posteriormente, à morte.

A previsão de duração da viagem é de aproximadamente 15 dias. Amontados, os bois não terão sequer espaço para deitar no navio e descansar, fazendo jus a cruel forma de transporte conhecida como “boi em pé”. Sujos, eles já chegaram à embarcação cobertos por fezes. Imagens feitas pelos ativistas da VEDDAS mostraram a situação deplorável vivida pelos animais. Um deles, inclusive, é registrado caído ao chão, sem forças para se levantar, após provavelmente ter se machucado durante o trajeto que o levou ao navio.

 

Fonte: ANDA

https://www.anda.jor.br/2017/12/sofrimento-ate-a-morte-navio-27-mil-bois-parte-de-santos-para-turquia/

 

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